Get up!   1 comment

Uma coisa que eu reparei que nunca vai mudar é a mania de achar um culpado pelas injustiças do mundo. Se um criminoso fugiu, a polícia é corrupta; se uma senhora morreu no hospital público, é porque o serviço público não presta pra nada; se alguém fica 10 anos pra receber uma dívida na justiça, é porque o Judiciário é moroso e os juízes são folgados; se a dívida externa aumenta, é o governo que não sabe planejar… Mas um tema que é mais chato que ouvir o Galvão narrar Fórmula 1, e tem preconceitos e visões deturpadas mais feias que bater em mãe, é a tal da educação.

Ao mesmo tempo, são culpados: o governo porque não investe (mas se investem, gera um aumento nas contas públicas, e se o governo gasta mais, é um mau governo); a mídia porque deixa as crianças mais burras, criando um ambiente que preza mais a aparência do que o conhecimento; são os pais que saem (pra trabalhar, vejam só!) e deixam as crianças sozinhas em casa, assistindo TV a tarde inteira e não tem controle sobre elas; são as próprias crianças que são inúteis e preguiçosas (já não se fazem mais crianças como antigamente); de fato, a culpa é de todo mundo.

E hoje de manhã, acabei vendo uma discussão dessas, no twitter. Um rapaz culpou a Globo (sempre a Globo… até porque a programação do SBT é mara, amiga!) pela burrice das crianças, e, não sei como, saiu desse argumento e começou a vociferar sobre… a imparcialidade do jornalismo?! Tipo, pára tudo. OI!? E, por fim, disse que tudo virou malandragem.

Acontece. Mas o que eu vim trazer aqui é outra discussão. É o que já se falou da campanha #forasarney no twitter. Uma porção de revolucionários de sofá, que querem mudar o mundo sem se dignar a levantar um braço. Aí nem Gandhi, né, amigão?

Como um dos líderes de um movimento de ação social (o Luvs), eu posso dizer isso com tranqüilidade: o que falta, é pessoas. É gente. É nego pra fazer alguma coisa. Porque trabalho, tem demais. Planos, tem demais. Em todos os lugares. Seja pra melhorar a educação, seja pra diminuir as desiguldades sociais, pra qualquer coisa.

Aaah, Bigol, mas eu não tenho teeempo.

Ah, meu bem, com duas horas por semana – eu disse DUAS horas por semana. A semana tem 168. Ainda sobrariam CENTO E SESSENTA E SEIS HORAS, pra você fazer o que quiser, meu bem, com duas horinhas, você dá uma ajuda em uma matéria pra crianças carentes de uma escola pública do seu bairro. E escola pública precisando de monitores, tem aos montes. E coordenador nenhum vai te recusar. Se recusar, me avisa, que aí a gente vai ter que sentar com esse cara.

Aaah, mas eu não sou bom com matérias de escola, passei raspando no vestibular da FAFIFO (Faculdade de Filosofia de Formosa)….Comofass/

Ôô meu bem, separa uma graninha, compra uma caixa de leite, anda quatro quarteirões pela sua cidade, e dá essa caixa pra alguém. Melhor ainda: CONVERSE com essa pessoa. A maior tristeza de quem está à margem da sociedade não é a necessidade física. Mas se sentir abandonado por todos. Ser ignorado por todos que passam exatamente ao lado deles, e desviam o olhar, com nojo.

Mas eu não tenho dinheiro, abiiiigooo!!

Faz assim, coração. Se você não tem como arrumar R$2,50 em trinta dias sem perder sua casa, morrer de fome, ou correr o risco de andar com roupas rasgadas, faça o seguinte: faça uma campanha do quilo. Arrecade alimentos com seus vizinhos. Você, além de conseguir mais alimentos do que conseguiria sozinho, ainda vai impelir seus vizinhos a ajudarem a comunidade também. Óh que maravilha, rapaz!

Mas, depois de tudo isso, eu sei que você, que não faz nada, vai continuar sem fazer nada. Porque você se acostumou. E porque a culpa não é sua. Até porque, você não é culpado pelo outro ser desgraçado. Ainda bem que não foi contigo, né? Putz, imagina só, que sorte!

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Publicado 07/11/2010 por Abigobaldo em Uncategorized

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