Bur(r)ocracia, a culpada?   Leave a comment

Porque o serviço público é uma droga. Ninguém trabalha direito, todo mundo quer ganhar mais do que devia, é uma corrupção danada, se você quer alguma coisa dentro do prazo, tem que molhar a mão do funcionário, porque senão, nada vai pra frente, ele cria birra com você, não te atende direito, faz mi-mi-mi e te enrola o dia inteiro.

Na verdade, não é só o salário que é desconsolador. Tá, ter estabilidade é bom; mas essa estabilidade engessa: não tem pra onde crescer, fazer todo dia as mesmas coisas, os mesmos problemas, sempre a mesmíssima coisa. Nesse computador velho, que provavelmente Moisés digitou nas tábuas os Dez Mandamentos, numa lentidão que só pra abrir o OpenOffice (porque tudo tem que ser open, agora), enquanto o cara que você tá tentando fazer de tudo pra ajudar te olha com cara de bunda, e reclama pra todo mundo o quanto demorou. Mas da burocracia que a gente enfrenta, ah, isso ninguém quer saber.

Quem nunca ouviu um dos dois discursos, ou quiçá os dois, mil vezes, mudando só o preletor? É o retrato do funcionalismo público brasileiro.

Nossa, que lixo.

É, é um lixo, mas se você parar pra reparar, a maior parte das reclamações, tanto de funcionários como de usuários, é a outra parte, não a burocracia em si. Quer um exemplo? Uma situação tensa, por exemplo, como a apreensão de um veículo. Aqui em Uberlândia, ouvi várias vezes do prazo mínimo de um dia inteiro de trabalho, pra se tirar uma moto ou carro do pátio.

E, eu tive minha moto apreendida (parei no lugar que era permitido mas não é mais, com plaquinhas sinalizadoras escondidas atrás de árvores, o que não importa. Fiz errado, vamo tentar consertar). Já direto no outro dia, saí de casa às 08:20 da manhã ao CIRETRAN, conforme ensinava o site do DETRAN (que não possui tabelas de preços de reboque ou diárias, o que é, no mínimo, estúpido), pegar o alvará de liberação da moto, e as guias de pagamento. Chegando lá, atendido por um funcionário otimamente humorado (ironia feelings), fui despachado para o Batalhão de Polícia Militar, logo ao lado, para pegar a ocorrência da apreensão, que poderia estar lá ou na SETTRAN (que é no Centro, a uns 15 minutos de carro de lá). Vamos na polícia então, né.

Chegando no Batalhão, fomos recebidos por alguns cabos e uma soldado, todos nos tratando muito bem, só comentando da preguiça do CIRETRAN, já que eles têm acesso a essa informação.

Peraí, o que?

É, me disse o cabo, eles tem isso lá. Só que o funcionário fica com preguiça de gastar papel, e manda vocês virem aqui, porque sabem que a gente imprime. Porque o sistema é o mesmo, e eles tem acesso tanto às nossas ocorrências como às da SETTRAN.

Ainda meio bobo com essa história, acabei por descobrir que quem apreendeu a moto foi o SETTRAN, não a PM. Ir ao centro? Nem morto.

Voltei ao CIRETRAN, e já despachei a real pro outro funcionário. Delicadamente, é claro. O sujeito não tinha culpa de nada. Olha, eu vim aqui, pediram pra eu ir na PM ou no SETTRAN pegar a minha ocorrência, fui lá, e eles falaram que vocês aqui tem acesso ao sistema, e à ocorrência, e que era pra eu pedir pra vocês imprimirem.

Pá, pum, o funcionário perguntou, confirmando, pra mim, eu disse que sim, ele foi, entrou no sistema, imprimiu, e pronto.!

Precisa do delegado assinar. Cadê tu, delegado? Tá numa reunião. Cadê tu, reunião? Lá na Prefeitura. Lascou-se.

Quando já passava das 09:30, fui conversar com o pessoal da recepção, com medo de perder o horário pro meu trabalho (eu entro às 14, teria que avisar a chefe, que não ia chegar à tempo). Parabenizaram-me pela responsabilidade (se eu fosse responsável mesmo, minha moto não teria sido apreendida ._____., mas tudo bem); e não mais que 15 minutos depois, apareceu um cara, que assinou os papéis. Mas você não pode assinar, não é o delegado.

Ninguém vai saber. Foi o diálogo que se seguiu.

De posse da papelada, fui ao Pátio (que fica impressionantemente perto do CIRETRAN, menos de 5 minutos), e, após o pagamento do reboque, e da diária, minha moto foi liberada. Peguei a moto, completamente selada (tanque e bateria), e impressionantemente, nenhum arranhão. Nada. O tanque, com o mesmo quarto de gasolina que eu deixara. Fiquei impressionado.

E essa história toda o que ilustra? Pra evitar 90% desse desgaste entre serviço público e usuário, o que falta, é tratamento respeitoso. Exatamente às 10:30, duas horas depois de sair de casa, já estava de volta, com a moto.

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Publicado 07/14/2010 por Abigobaldo em Uncategorized

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