[LP]Todo começo tem uma história pt II   Leave a comment

/OFF: Comece pelo começo, leia aqui/

(Piotr)

Beating; a vida era isso – get a rhythm. Era meio Britney Spears, coisa que ele detestava, mas, anyways, fazia sentido. Poderiam trocar as palavras, tornando-as chiques, dar palestras motivacionais, ou fingir que era um segredo, mas a essência era a mesma. Pra conseguir aproveitar a vida, só encontrando o seu ritmo, a sua batida. A vida é mesmo comparável à música. A uma coletânea, de fato. Muita gente se frustrava tentando viver um reggae num momento de blues – a pessoa fica perdida, se torna agitadora e não leva nada a sério.
Cada momento da sua vida tem uma trilha sonora – tentar mudá-la era fracasso – nada pior do que sacar um Matanza quando estão você e sua namorada sozinhos, voltando pra casa à pé, numa sexta à tarde. Bebe, arrota e peida não descreve muito bem atitudes que devam ser tomadas ali – pé na porta e soco na cara também não. Mas isso não quer dizer tomar uma atitude passiva diante dos fatos – toda ação poderia mudar a situação. Nova situação, nova música – com um momento de transição, como um DJ. Um bom DJ é aquele que consegue levar a festa para onde ele quer; sem ninguém perceber.
Querer mudar de vida sem agir, é o mesmo que querer mudar de música sem dar FlashForward. Até porque inação é muito pior que omissão.

Piotr devia fumar alguma coisa, definitivamente, é incabível um ser humano são, nas suas plenas faculdades mentais, ter um fluxo de pensamento bisonho como este. Bisonho, não incorreto.
Assoviando alguma coisa que deveria parecer com Over the Mountain, que faria Ozzy Osbourne morrer na depressão se a visse tão mal executada, ele quase passou sem vê-la.
Foi uma transição de emoções digna de filmes hollywoodianos, no curto espaço de tempo oferecido por dois segundos. Do êxtase da música, à surpresa por vê-la ali, passando pela piedade pelo estado dela, voltando à surpresa por vê-la chorando, e, atingindo por fim, a preocupação. É, ainda bem que ela não lia pensamentos, ou não estava em condições de reparar muito nas expressões faciais dele, porque, bem, tinha sido bizarro. Bizarro, não bisonho. Nem incorreto.
Sem ter como fugir, ou como evitar a situação, Piotr se aproximou da garota, e sentou-se, junto aos seus pés, escorado nas pernas dela. Ficou ali, acariciando as pernas dela, enquanto ela tentava se recompor. Não sabia quanto tempo fora, se foram cinco ou quarenta minutos, mas ficou ali, até que ela, naquela posição, passou os braços em volta do seu pescoço, e encostou a cabeça na dele.
Ele podia sentir o hálito quente dela em sua nuca, enquanto as lágrimas escorriam do rosto dela para suas costas; e, por mais agonizante que fosse senti-la sofrer, o silêncio era o melhor que ele podia oferecer. Alguns corações partidos só podem ser restaurados pela cumplicidade do silêncio. Certos sentimentos só são plenamente exteriorizados, na completa quietude.
E ela beijou sua nuca.

É, ele arrepiou

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Publicado 07/21/2010 por Abigobaldo em Lorea & Piotr

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