Censura na Venezuela   Leave a comment

Foi longamente noticiado pela mídia, em especial a Folha de SP, da censura sofrida pelo jornal El Nacional no início dessa semana. Segundo entrevista dada à Folha, o jornal tem viés completamente anti-governista, e tem sofrido diversas censuras nos 11 anos do governo Chavez. “Ataques terroristas, a retirada de toda a publicidade oficial, o que foi um golpe duro à época”, disse Otero, editor-chefe do jornal. Ele promete entrar com recurso extraodinário contra a censura prévia realizada, afirmando saber que essa medida deverá ser infrutífera. “O governo ainda não pode fazer “cadeia obrigatória” com os meios impressos ainda. Mas quem sabe inventam.”, acrescentou.

Definitivamente, a censura é algo horrível, sujo e podre. É a tentativa mais desesperada de um governo de manter-se no poder, alienando a população dos fatos ocorridos. Um tipo dessa censura, para manter a paz social, foi a do governo norte-coreano, durante a Copa do Mundo, que decidiu que a estatal iria exibir apenas os melhores momentos do jogo Brasil VS Coréia do Norte, válido pela primeira fase do Mundial. Os líderes temiam que uma derrota vergonhosa fosse enfraquecer o sentimento de nacionalismo da população em geral. – não me perguntem o que isso quer dizer. Mas, o que está em cena, na Venezuela, é completamente diferente.

O que o governo censurou não foi uma notícia. Foi uma foto. Mas não foi Chávez que impediu. Foi um promotor de Justiça. Oras, dentre as mil funções de um Promotor, incluem-se a de “responsável pela defesa da ordem jurídica”, e, especificamente, o de um Promotor da Infância e Juventude, “tratar de direitos individuais (de cada criança ou adolescente), o Promotor de Justiça promove a defesa dos direitos fundamentais no âmbito coletivo (de todas as crianças ou adolescentes, ou de um grupo delas), através da ação civil pública”.

Inclusive o de proteger crianças de cenas traumáticas ou fortes – esse é o fundamento da censura em filmes e jogos, chamada atualmente de Classificação por Faixas Etárias. Oras, é, de fato, natural, óbvio e lógico, que se proíba crianças menores de 14 anos de assistir cenas de conteúdo violento, sexual e abusivo – estudos psicológicos provam que nessa idade ainda não há a maturidade psíquica suficiente para separar realidade de ficção (talvez por isso haja tantos fãs de Hori e Restart nessa faixa etária).

Deste modo, partindo para uma pesquisa superficial, o próprio jornal El Nacional (voltando ao caso em cena) afirma que as imagens censuradas (NÃO a notícia, apenas a imagem) são “corpos acumulados no necrotério de Caracas”; e, em outra reportagem da Folha de SP, “A publicação da foto, que mostra corpos nus e ensanguentados em macas e no chão do necrotério, fez com que a Sala 12 do Tribunal de Proteção de Crianças e Adolescentes de Caracas proibisse ontem a reprodução de imagens similares.” Por increça que parível, a própria reportagem da Folha ainda mostra que foi feita uma investigação: “policiais judiciais acompanhados de representantes da Promotoria chegaram à sede do veículo para “cumprir a investigação da Promotoria contra o jornal após a publicação de uma foto de fatos””.

E aí? Essa censura é válida?

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Publicado 08/19/2010 por Abigobaldo em Opinião

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