Pior que tá, não fica. Fica?   1 comment

O humor é uma válvula de escape, é uma forma de esconder o que se sente, seja por dor, medo, vergonha ou revolta. Principalmente medo e revolta. Provocam aquele humor seco, sarcástico, rasgado, que, se não machuca, fica escrachado. Aquela coisa forçada. E é esse o tipo de humor que eu tenho visto nas campanhas eleitorais.

Twittando dias atrás, com o @kaiofreitas, antes do surgimento da campanha do Tiririca, veio a maior dúvida:

Pois é, não dá pra entender cara. Política era pra ser coisa séria. :/

Aí surgiu o Titirica, pior que tá, não fica.

É, provavelmente, pior que tá, não deve ficar. Poder pode, mas é difícil. Se a troça com a política chegou a níveis tão impressionantes, que é algo absurdamente generalizado, é reflexo do medo e da revolta com os últimos acontecimentos. É reflexo de um pré-conceito com a filosofia, e a sociologia. Ontem, quinta-feira, com os caras do @inconformadocom, no Manifesto, discutia-se isso. Não só a falta de vontade de se estudar a filosofia e a sociologia, mas na forma com que essas matérias são trabalhadas hoje. Ali pelos idos de 80, tinha-se a formação cívica, construção de pensamentos, tudo isso a nível de segundo grau, no ensino médio.

E essa geração foi a que culminou nos caras-pintadas, ali por 92. Será que tem alguma influência, o modo que os estudantes eram educados, e a revolta com o governo Collor? Ou mesmo preguiça, e o desprezo com filosofia, sociologia, ciência política, têm um efeito na passividade da população quanto ao estado do governo?

Pensando bem, quem dera a passividade se desse apenas com relação ao governo. São estudantes passivos, que só estudam o que cai na prova, quando se tem uma; são crentes passivos, que só oram quando estão com a corda no pescoço; são esportistas passivos, que só fazem exercício quando correm risco de sofrerem doenças graves; são amantes passivos, que esperam o relacionamento atingir um ponto insustentável para tomar alguma atitude; e assim vai, em todos os campos da vida.

E, nesse ponto, chega-se à política. Um covil de ladrões, como se define o Congresso Nacional. Diante da impotência, da revolta e do medo de lutar, só sobra pra maioria da população, que já não se interessa muito pelos estudos filosófico-sociológicos, rir.

É desse sentimento, que brotam candidaturas como da do Tiririca. A do Kiko, do KLB. A do marido da Mara Maravilha, e do filho do Raul Gil, que nem abrem a boca. Tenho visto várias pessoas falarem que, votar neles, é um voto de revolta. Discordo: é um voto de impotência. E, assim como o surdo, o pior impotente, é o que não quer agir.

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Publicado 08/20/2010 por Abigobaldo em Opinião

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Uma resposta para “Pior que tá, não fica. Fica?

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  1. haha perfeito… e na mosca!

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