[LP] Dusk’s Outset – FINAL   Leave a comment

/off. Dusk’s outset vem do inglês, início do pôr-do-sol, e é o segundo capítulo da saga Lorea & Piotr. O começo, é aqui/

(Piotr)

É, as docas. Se tinha lugar mais longe pra ir, provavelmente Lorea não conhecia. Porque ela tinha que querer as coisas mais difíceis? E pedir com a cara mais from hell? Certeza que aquela menina tinha pacto, cara. Não pode, isso. A menina fala cada absurdo, e faz uma cara que, de repente, tudo é tão normal, tão er – simples.

Ou ele que estava com muito sono, não prestou atenção no que ela disse, e só concordou. E quando entendeu, já era tarde demais. Com certeza a segunda era mais possível, mas ele preferia acreditar na primeira. Embora irreal, era a mais confortável – a culpa era toda dela.

Sol ia se pondo. Respirou fundo, digerindo aquela imagem. França e Ucrânia eram dois países lindos, de fato – belezas diferentes. Não poderia escolher entre uma e outra. Eram como se complementares. Já vira diversos sunsets, mas… é. A França tinha fama de país do amor não era à toa.

País do amor? Ele. Ela. Ali. Sozinhos. E ele pensando em amor? O-oh. Quando ia começar a surtar nesse pensamento, Lorea soltou-se dele, deu um gritinho, e perdeu suas forças. De reflexo, Piotr conseguiu segurá-la, centímetros antes de ela cair no chão.

Assustou-se mais ainda quando viu os olhos dela, fora da órbita – algo estava muito errado ali. Quando ia depositá-la ao chão, o corpo dela começou a se debater fora de controle Aaarght, convulsões não >_<‘, pensou enquanto tentava se lembrar do máximo possível que já vira sobre convulsões, mantendo a cabeça dela a salvo, enquanto o corpo dela se debatia, fora de controle.

Num momento de insanidade, levado pela tensão do momento, prendeu uma perna de Lorea entre as suas, e debruçou-se sobre o corpo da menina, impedindo-a de se machucar – colocando-se entre ela, e ela mesma, como escudo. Entre os tapas e chutes, chorava – não pela dor, mas pela impotência. Um minuto atrás, estava na absoluta paz, e foi do céu ao inferno. Dawn to dusk. Não sabia o que pensar, o que fazer – e então, pediu. Não sabia bem a quem, ou a o quê, quem dirá porquê. Mas pediu – mais exatamente: clamou.

E, como por milagre, as convulsões foram diminuindo – não sabia dizer se o seu pedido teve efeito ou não; mas definitivamente era grato – a qualquer ser ou coisa que fizera aquilo parar. Enquanto parava, e o corpo de Lori era tomado apenas por alguns tremores, saiu de cima da garota, tentando ver o estrago da situação.

Miraculosamente – uma palavra que realmente conseguia descrever toda a situação – a roupa dela estava intacta; só tinha se sujado um pouco, nas partes que encostara no chão. Olhando assim, o corpo dela, de tão perto, arrepiou. Sentiu-se mais próximo dela do que de qualquer pessoa do universo. Ele a estava protegendo. Estava ao seu lado. Próximo dela. Embriagado pelo seu perfume, quando ela mais precisava. E os dois se faziam felizes. Como ele não se lembrava de se sentir há pelo menos uns dois anos.

Ele se sentia mal, por toda história dela. Não pôde deixar de lembrar de todo seu draminha, quando foi deixou Gabi pra trás. E, enquanto se sentia remoído por isso, ao seu lado estava uma menina com história bem pior que a sua. E bem mais real. Ela tinha passado por coisas que ele nem gostaria de imaginar – ela sim, era forte. Conseguir continuar viva, lutando pela felicidade, depois de tudo isso. Lógico, ela fraquejava, mas era o mínimo que ele esperava, depois de perder um amor de um jeito tão trágico, e tão nova.

Sentou-a no chão, para deixá-la mais confortável , a menina suava, deveria estar exausta. Tirava os cabelos grudados em seu rosto, quando ela deu um sinal de vida – um gemido que de tão fraco, deixou-o mais compadecido ainda. Para confortá-la, passou a mão em seus lábios, como se dissesse, daquela maneira, que estava ali – e que tudo daria certo. Acariciou o rosto dela, tentando passar naquele toque tudo que sentia, toda paz que ela precisava.

Sabia que ela estava num estado de torpeza, e que ela iria precisar de ajuda para recuperar o estado normal. Já passara por essa situação, quando menor – num trem, saindo da Dinamarca, em direção à Polônia. Naqueles dias, tiveram que abandonar às pressas o país, vários documentos de refugiados (dentre eles dos ex-agentes secretos, como seus pais) tinham sido vendidos ao Kremlin, e a única forma de fugir, era por trens de carga. Lembrava-se de ver muita gente junta, a maioria, apenas com roupa de corpo – uma em especial que estava sem casaco; e compartimentos de carga não são conhecidos pelo seu isolamento térmico.

Com cinco horas de viagem, a pessoa começara a convulsionar – entrara em colapso, com a temperatura ambiente beirando os -10oC. Socorreram-no, e lembrava de um enfermeiro ficar conversando com ele. Auxiliando-o. Guiando-o. Era isso que tinha que fazer.

Não sabia o que poderia acontecer se não o fizesse – mas não estava afim de pagar pra ver.

Conversava. Pedia para ela se acalmar, pra ficar tranqs. Ajudou-a a levantar, e vê-la de pé, mesmo naquele estado crítico, o animou, e a abraçou, feliz. Ela ficaria bem. Mais tarde, ao se deitar, se lembraria do olhar dela, quando abriu os olhos, e encarou Piotr. Como se não tivesse coisa mais maravilhosa no mundo.

Mas, naquele momento, bastou-se em sorrir, e em falar – e tirá-la dali. Ela precisava descansar. E ele precisava, e muito, pensar.

As coisas estavam saindo do controle – e ele já conhecia essa sensação.

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Publicado 08/21/2010 por Abigobaldo em Lorea & Piotr

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