Histórias que são quase estórias   Leave a comment

Nessas horas insanas da vida, a gente acaba por conhecer muitas pessoas bacanas. Hoje, por exemplo, estava lá eu, logo antes de amanhecer, numa lanchonete perto da rodoviária aqui no RS, e eis que surge um forasteiro. Forasteiro por causa de seu cabelo, escuro; forasteiro por causa do seu jeito de andar, meio acanhado; forasteiro por causa do sorriso ao olhar pra um desconhecido; forasteiro por causa da sua vontade de conversar.

Porque se tem uma coisa que existe aqui no Sul são pessoas que não querem conversar. Não querem te desejar um bom dia, saber se você está bem, o que aconteceu contigo, quem é você, e ficariam muito mais felizes sem saber mesmo da sua existência.

Como um forasteiro reconhece o outro, acabamos por começar a conversar. E surgiu uma das conversas mais interessantes que podia ter tido às seis da manhã numa lanchonete de rodoviária.

O forasteiro, cujo nome não sei até agora (até porque esse é o interessante desse tipo de conversas, você sabe tudo sobre o cara, sofre com ele, ri com ele, mas no final, não faz a menor idéia de quem seja), é de Assis, interior de São Paulo, cidade qual eu nem sonhava existir, e fazia Letras na UNESP Português-Alemão.

Naquele instante, ele estava a caminho de Juí, mais ao sul do RS do que onde estávamos, fazer uma seleção pra ser bolsista do Governo do Estado em parceria com o Governo Alemão.

Falamos sobre praticamente tudo. Políticas macroeconômicas, economia mundial, posicionamento, reitores, Universidades Federais, políticas urbanas, desenvolvimentismo, ações afirmativas, uh. Cada tópico discutido renderia pelo menos um post nesse blog, só entre idéias trocadas.

Mas essa não é a intenção deste aqui.

A intenção desse é perguntar: você já parou pra pensar em quantas histórias você já perdeu da pessoa do seu lado, no ônibus? Daquele desconhecido que sentou no banco vazio, te cumprimentou, e você deixou a conversa morrer aí porque estava ouvindo música?

Sei lá, isso me deixa empolgado, extasiado. Tipo agora, estou num shopping daqui. Rodeado por pessoas completamente desconhecidas, com outras culturas, outros modos de vida, outros pensamentos. O que será que essas pessoas viveram, passaram, pra hoje terem essses conceitos? Que conceitos são esses?

O rapaz, da mesa da frente, com uma camisa do Grêmio, por exemplo. Ele tpa com um amigo vestido completamente social, inclusive de sapato.

Como assim, os dois saíram juntos em tão diferentes estilos? Camiseta de time de série B, calça jeans lá pro meio das nádegas e tênis velho, conversando com um cara de camisa social alinhada, calça nova e sapatos?

UATÁHÉL?

Ou o casal de nerds, um pouco mais afastado, cada um no seu notebook, o dele vinho e o dela rosa, um do lado do outro, abraçadinhos, mas cada um mexendo no seu?
Quem sabe o almofadinha de cabelo partido no meio, do outro lado, falando no celular, com um pentagrama no pescoço, por cima de uma camisa polo, que deve se achar o mauzão avassalador da história? Será que ele brilha feito purpurina no Sol?

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Publicado 11/26/2010 por Abigobaldo em Opinião

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