Cedo ou tarde, você descobrirá que vai sonhar em ser tão pequeno   Leave a comment

Nós gostamos de utopias. Gostamos de sonhar. É típico do ser humano, esse anseio por algo diferente, por uma mudança de vida, essa esperança de algo acontecer. É esse sonho, essa esperança que nos move, nos faz levantar, dia após dia, manhã após manhã, e que nos segura, em todo momento de estresse pra não jogarmos tudo pra cima e desistir.

Basicamente criamos um mundo imaginário, e nos refugiamos nele todas as vezes que algo nos ameaça. Comunistas sonham com uma sociedade igualitária, em que o povo tomará o poder e não mais haverá desigualdades; anarquistas sonham com um mundo sem opressão; o pai de família tem sonhos mais simples, uma casa para sua família, um carro e talvez, porque não, umas férias na praia; a criança sonha com uma piscina de marshmallow; o adolescente com uma assinatura de Playboy; o namorado sonha com um carro pra poder levar a namorada pra ‘passear’; a solteira sonha com um príncipe encantado que só veja suas qualidades.

Sonhos são bons. Ou pelo menos deveriam ser, enquanto são sonhos. O problema não é sonhar – o problema é fazer dos sonhos, uma utopia. E a utopia é linda, na teoria. Ela nos faz imaginar, e só. Enquanto utopia, é irrealizável.

Nenhuma utopia pode existir, se pudesse não seria utopia. Então, porque tornamos nossos sonhos uma utopia? Preguiça. Medo.

Se são os sonhos que movem o ser humano, com certeza é o medo que o prende. Medo de perder essa rede de segurança, medo de perder essa zona de conforto, esse lugar que, embora não seja o que você quer… não te faz mal.

É o pode ser isso mesmo, que soltamos toda vez que algo vem totalmente ao contrário do que queríamos, mas, para manter o status quo, nos abstemos.

E, de abstenção em abstenção, de omissão em omissão, os nossos sonhos se tornam ideais. E ideais se tornam utopia, num estalar de dedos – e nos prendemos à essa realidade.

Não só contente em se prender ao status quo, a pessoa que foi engolida pela realidade tem como objetivo de vida, agora, desmascarar todos os sonhadores à sua volta. Um a um, ela vai rasgando os sonhos das pessoas ‘você não é capaz disso’, ‘ninguém nunca conseguiu’, ‘cara, larga mão disso, e vai arrumar sua vida’, ‘você já não tem problemas suficientes?’, ‘vamos ficar com isso, porque isso é o que a gente tem’, ‘e se não for tudo isso que você acha que é?’, até que todas elas, à sua volta, estejam tão realistas e tão conformadas quanto ela.

Essa nuvem de conformismo se espalhou, e virou apatia. Olhe à sua volta. Quantos você conhece que, até pouco tempo sonhavam com um futuro brilhante, que queriam alguma coisa impressionante (e de tanto quererem, elas conseguiam até te convencer que isso era possível!), que hoje estão… seguindo suas vidas.

Não existe expressão melhor que essa, seguindo com suas vidas. Você fala que seguiu com sua vida quando alguma crise aconteceu. Seja perder alguém próximo, seja ser abandonado, ou perder bens materiais, alguma coisa aconteceu que poderia te paralisar – mas você conseguiu passar por aquilo, e já é passado.

Muitas pessoas mataram seus sonhos, em troco de uma vida medíocre. Você já matou seus sonhos? Nunca é tarde pra voltar.

O título do post é um trecho traduzido da música Sooner or Later, do Switchfoot. Ouça-a aqui.
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Publicado 01/26/2011 por Abigobaldo em Opinião

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