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Cada vez que olho à volta me sinto mais perdido. Não que eu não saiba onde estou, ou não conheça quem está à minha volta – eu simplesmente não os reconheço. Não sinto legitimidade neles. É como se vendo-os agir, eu não entendesse a sua real motivação, porque, sinceramente, as desculpas que eles dão pra si mesmos e para os outros não me convencem.

As pessoas não podem ser tão estúpidas assim. Eu acho.

Porque, na moral, tem dia que eu fico pensando, pra quê. Pra quê estou ali, se não é ali que eu pertenço. Eu não pertenço aos bancos de graduação, não pertenço à horda de novos bacharéis em Direito cuja única motivação da vida é ter dinheiro. Seja na forma garantida de um concurso público, seja na forma arriscada que é a advocacia, só buscam da bufunfa. E não são só os advogados não.

A busca de todo mundo pelo dinheiro, pela vida melhor me… assusta.               Não é que eu ache que as pessoas deveriam ser estagnadas, ou não deveriam fazer planos de melhorar de vida. Muito pelo contrário. É que essa perseguição ao dinheiro não faz bem.

Milhares de doenças conhecidos como males modernos, lesões musculares, depressão, tudo isso causado por um sonho de ter mais, para poder ser mais.

Eu só quero segurança, repetem, para si mesmos, como um mantra. Como se altos executivos não fossem à falência e do dia para a noite países inteiros não entrassem em colapso – independente do esforço individual de seus habitantes.

Eu só quero a felicidade, e a felicidade é estar na Europa, ter uma cobertura no Rio, e dinheiro ilimitado para fazer o que quiser – mesmo que não tenha tempo para isso. Quero garantir o futuro dos meus filhos, mesmo que isso signifique deixa-los no mundo completamente desamparados de valores e experiências de vida. Eu quero viver o máximo, ainda que o máximo seja o máximo de horas trabalhadas por dia.

A minha segurança é a minha família, o futuro dos meus filhos é aquilo que eu vou ensiná-los a lutar e garantir com suas próprias forças no dia-a-dia, o máximo que eu quero viver é ter emoções tão fortes, que cada vez que eu me lembre delas, eu me empolgue, seja no riso, seja no choro ou na saudades. Eu quero mesmo é ter à disposição horas e horas de nostalgia – e optar não desfrutá-las, porque bem. Eu não quero encontrar a felicidade em Paris.

Eu quero viver a felicidade, nem que seja na Praça Paris. De preferência, com você.

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Publicado 07/23/2011 por Abigobaldo em dorgas

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