Money, que é good, nós num have.   1 comment

Comecei num trampo de férias semana passada, numa gráfica aqui da cidade. Tranquilo, super de boa, 3x por semana, meio período, gráfica offset, nada que fosse matar ninguém ou salvar alguém da falência.

É um trampo bacana, pessoal gente boa, e um trabalho 100% manual: separar calendários. Sabe aquele calendário da casa da titia e da vovó, que tem as folhinhas de cada mês para serem arrancadas? Então, esses calendários vêm todos grudados, em grupos de cinquenta, e alguém tem que separar os meses de doze em doze. Pois bem, esse é meu trampo – falei que não era de matar ninguém e que era 100% manual. Chato? Talvez, depende de como você o vê.

Eu não acho chato, embora seja uma mesa de 5 metros de cumprimento, com uma pilha de meio metro, só de folhas de calendário para serem separadas. É mecânico. E dá pra pensar, muito. Pensar no que eu tenho feito e pra onde eu vou – para quem não sabe, esse é o meu último (espera-se) ano na faculdade, e vou prestar provas de Mestrado (a primeira é daqui a cinco dias, no sábado), e assim. Minha vida está prestes a dar uma reviravolta, seja por bem ou por mal, e pensar nisso me revira o estômago.

Mas esse trampo tem sido bacana pra me fazer pensar – e num dia, lembrei de uma coisa que disse pra Joyce Adeline, que de fome, a gente não morria. Até porque eu já fiz de tudo um pouco. Já fui chapa de caminhão, contador de estoques freelancer, trabalhei um pouco numa gráfica, numa livraria, como representante de editoras, resumindo a história, quando eu tinha 12 anos ganhava o dinheiro do cinema no Rio de Janeiro vendendo pedras semi-preciosas que eu comprava em Caldas Novas.

De fome, eu não morro. E lá estava eu pensando nisso tudo, e putz. Olha só, cara, tudo aquilo que eu já fiz por dinheiro. E se eu fiz aquilo por dinheiro, ao mesmo tempo que me esforcei tanto, pelo objetivo, seja o cinema, seja uma passagem de ônibus pra uma entrevista de trainees em BH, eu deixei a desejar em tantos aspectos – e como isso me frustrou, e frustrou tantas outras pessoas ao meu redor.

E aí eu postei esse texto, sábado, anteontem, falando da corrida desenfreada por uma vida melhor que ninguém sabe definir, mas corre atrás dela como se fosse a última Pepsi gelada do deserto (pode ser?). Eu me daria bem nessa vida, se quisesse. Mas eu resolvi fazer diferente. Ao invés de dar o meu máximo pelo dinheiro, eu resolvi dar o meu máximo pela Joyce Adeline, dar o meu máximo pelos meus amigos, e, bom, basicamente o que eu quero é viver. E não me assegurar de que algum dia eu possa viver.

Às vezes, o que todo mundo precisa é isso. Se preocupar menos com quantos zeros existem antes da vírgula na conta bancária, e mais com os zeros nos itens-a-fazer.

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Publicado 07/25/2011 por Abigobaldo em Opinião

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  1. Qualidade de vida começa com Qualy. Te amo rapaz.

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