Depois daquela viagem   Leave a comment

Sempre me considerei assim, um cara de sorte. Independente da paganice ou seja lá o que for do conceito de sorte que você tem. A questão é que, numa grande maioria das vezes, eu me saio bem numa situação complicada, geralmente por um conjunto de fatores pelos quais eu não tenho controle.

Chame isso de provisão divina ou de sorte, eu prefiro sorte, que é um termo mais humilde. Provisão divina me traz à memória muita história de ungidos do Senhor e o povo santo e separado para honra e glória de Deus que não pode ver TV, ouvir música ou jogar videogames violentos (porque o demônio vai invadir regiões celestes, ou alguma coisa assim).

Então, eu sou um cara de sorte. Quem me conhece sabe que eu não sou lá muito legal, muito genial ou um tanto quanto bonito. Sou razoável, médio. Não tenho nada que faça garotas caírem ao meu redor, mas meu passado de relacionamentos é (muito) bom. A Joyce, coitada, nem sabe direito o que tá fazendo comigo, porque, cá entre nós, né.

Eu tive sorte no vestibular, já que nunca fui do tipo estudioso e até nas semanas logo antes do vestibular eu assistia pelo menos três episódios de One Piece por dia, sem contar todos meus outros rolos e perdas de tempo.

Eu tive bastante sorte de não morrer nos meus acidentes, desde que uma mulher passou em cima do meu pé, aos 12 anos (sendo que eu tinha parado no meio da rua porque minha vó me mostrara alguma coisa – e nenhum de nós tinha visto o carro) até quebrar a clavícula no meu acidente mais grave de moto (que eu caí na frente do carro, que mesmo com pista molhada, conseguiu frear a tempo, e mesmo tendo rolado no chão, não quebrei nenhuma costela).

Não preciso nem comentar a sorte que me veio a lembrar de todas as outras sortes descritas neste post, que vem acontecendo desde ontem. Pra quem não sabe, estive no Rio, prestando prova de Mestrado no último fim-de-semana, e por uma questão financeira e de lazer (sim, cara de pau extrema, última semana de férias bem que teve uma ótima influência na decisão), passei sete dias na cidade, que eu costumava chamar de lar, até 2003 (e onde sofri o tal acidente aos 12 anos).

Aí, pra tornar as coisas melhores ainda, fui recebido na casa do maior pecador da Zona Norte, ou pelo menos do quarteirão – o Thadeu Kaiser, que já havia hospedado meu irmão numa situação mais complicada. Gente de coração melhor que aquela família não há, que hospedou não só a mim, mas a Letícia, que viajara comigo. Foram sete dias assim, com nada a declarar; foram realmente perfeitos – e me deram mais vontade de voltar à essa cidade.

Pra fechar com chave de ouro, nas últimas horas, vi fisicamente, pela primeira vez, após mais de sete anos de amizade virtual, uma criatura que morava na mesma cidade que eu e eu nem sabia; descobri só quando eu fui embora e quando ela resolveu ir pra terra da areia. Não, a Camila Jatahy não foi pra Fortaleza, ela foi pra Doha, e estávamos os dois no Rio no mesmo dia.

Quando ela e a Nati me deixaram no aeroporto, duas horas depois a notícia:  chuva  em Uberlândia, aeroporto fechado, vôo cancelado.

O que aconteceu? A Gol mandou a gente, que era de fora pra um hotel. E falavam em o hotel, o hotel, mas ninguém deu nome. Nada menos que o Winston Copacabana, antigo Meridien, cinco estrelas e na beira da praia. Quem estava online no twitter pelas duas da manhã viu, minhas impressões humildes sobre a comida, a cama, a TV, a banheira e o ar-condicionado enviado direto dos céus praquele lugar.

Simplesmente genial.

Não, não foi tudo perfeito, nós saímos de lá antes do café da manhã e íamos passar hoje quatro horas seguidas em Congonhas. Mas aí, eis que nós ganhamos a refeição, em plena Congonhas, com direito até a suquinho de sobremesa.

Fala sério, eu tenho sorte.

Até aqui, nos acompanhou o Senhor.

Larga mão de chorar pelo que deu errado, e alegre-se pelas coincidências que te aparecem como sorte. Não desfrutá-las reclamando não é seriedade, mas burrice.

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Publicado 08/04/2011 por Abigobaldo em dorgas

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