Pecados louváveis   Leave a comment

Que nós sempre fomos hipócritas, todo mundo sabe, não seria novidade nenhuma afirmar. Que nós temos uma lista moral do que é certo e errado, com níveis de erros, também não é novidade. E que isso não é uma coisa bíblica também não.

Mas o fato é que temos, e fazemos pouco (ou nenhum) esforço pra mudar; quão rudes ou tendenciosos costumamos ser quando descobrimos que alguém está em pecado. Como assim, alguém está em pecado? Alguém por acaso não está? E porque sempre que alguém está em pecado, é com problema sexual? A pessoa fez sexo fora do casamento (se é que existe isso), traiu o parceiro, se pegou com sentimentos homossexuais e mil outras atitudes (sexuais) altamente condenáveis pelo meio evangélico que convive.

Mas, se uzirmão tem problema com dinheiro, talvez até cleptomania, ou é só egoísta ou individualista, não tem problema. Isso a gente dá um jeito, fica aqui entre nós, e a gente vai trabalhando, aqui, na individualidade líder-discípulo, né? Pra quê todo mundo ficar sabendo, não precisa dessa exposição toda. É diferente, diz-se.

Não me pergunte desde quando que um pecado é maior que o outro, ou que bula patriarcal (já que temos Patriarcas da Igreja Evangélica Brasileira) que fez um ranking dos 10+ pecados cometidos, ou que estabeleceu a carteira de pontos, onde o pecado sexual equivale a uma suspensão do louvor, mais pena de banco e multa de dízimo efetivamente cobrado.

Mas o pior não é nem isso, não é nem um pecado ser mais ou menos reprovável que outro, isso faz parte da essência humana em sociedade, o de nivelar atitudes reprováveis, de punir aqueles que erram, acreditando que se não for por amor, vai pela dor, independente da heresia desses ensinamentos. Tudo bem, dá pra conviver com isso, até porque, querendo ou não, eu também o faço.

O que me surpreende mesmo é, num lugar tido como santo, que todos precisam vestir uma máscara de santidade para entrar, como é a igreja física, os cultos, ali dentro, embora toda aparência de santidade, alguns pecados serem cultuados como belos.

Que crente gosta de comer, isso nem agnósticos (que costumam ser indiferentes a tudo) ignoram. Mas que a gula, antes um pecado, tornou-se uma atitude santa, louvável e a ser exposta com orgulho, isso, eu não esperava.

Ah, mas eu sou gordo, e gordo come muito, é pecado ser gordo? Não, não é pecado ser gordo, nem comer muito. Pecado é comer até passar mal, como se fosse a última refeição da sua vida e você tivesse mais uns quinze anos pela frente.  Como eu já dizia, pecado mesmo é a burrice.

Ir em rodízios, morrer de comer, fazer valer cada centavo gasto, repetir várias vezes, até passar mal nas refeições em comunhão (comunhão com a comida, né?), chegando ao cúmulo de declarar, com a mesa vazia que os últimos dois pratos foram só de gula, mas eu queria comer só mais um pouquinho daquele filé, peraí já volto é doentio.

Algumas pessoas levaram a sério (ou a torto) demais o que Jesus disse que o que contamina o homem não é o que entra pela sua boca, mas o que sai por ela. Comer até passar mal não é bonito. Não é louvável. Comer muito é uma coisa, comer demais é outra.

A comida deve te satisfazer, te deixar bem, feliz – todo mundo se alegra depois de comer; mas toda vez que exageramos, passamos mal, e muito. Não seja burro. Coma bem, e fique bem.

Anúncios

Publicado 08/09/2011 por Abigobaldo em Igreja

Etiquetado com , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: