Engajamento   Leave a comment

Protestar está em moda. Seja protestar contra o cancelamento do show de uma banda, seja pela liberação da maconha e outras coisas, seja por um novo governo, ou contra a corrupção nos esportes. Protestar sentado, também está em moda. Assim como reclamar de quem só protesta sentado.

O problema de quem tanto protesta, é que quem protesta não entende quem se omite (na verdade, quem não protesta – porque, para quem faz, quem não faz, se omite, independente do que a outra pessoa pensa, é, ou diz) e o mundo se polariza: há os engajados (nós!) e os alienados (a escória!).

E, por acaso, se o protesto daqueles engajados funciona, e eles obtém seus benefícios – de repente, não mais que de repente, eles são invadidos por um sentimento individualista que nada tinha a ver com o ideal primário do movimento: é injusto dividir os ganhos com quem não sofreu, não participou e ainda, além disso gozou dos que protestavam. E os argumentos de universalismo e essa luta também é sua? Para onde foi?

E, se o protesto não funciona, e os engajados voltam, sem-graça, tímidos, e envergonhados, na verdade a culpa… bom a culpa é de quem não se engajou, que não deu força ao movimento, de quem deixou seus amiguinhos serem aniquilados pelas forças do mal e pelos discursos contrários. Não importa se o valor da luta não fazia sentido, ou se os meios para protesto eram, por assim dizer, complicados de se aceitar, ou se eles estavam com a cabeça no lugar errado – quando um movimento cai, é por falta de aceitação (independente de quantos ele tenha).

Essa polaridade que me faz hoje ter um cuidado extra com protestos e com manifestações. Não basta o motivo ser plausível, as exigências devem ser racionais; não entro em protestos que pedem pelo fim da injustiça social, mas querem a estatização de todas grandes indústrias; não entro em petições que pedem pelo fim da corrupção, mas lutam pela privatização de grandes estatais; não entro em lutas pelo dia dos games livres de impostos, mas carregam o nome de pessoas e lojas cujo interesse é, pelo menos duvidoso. Não entro em campanhas de ofertas por benefícios pessoais; e não faço evangelismo por uma teologia recortada.

O termo massa de manobra vale pros dois lados, tanto pro de conservadores como pro de revolucionários. O que vale, é seguir o que pensa – se for a Bíblia, o bem-comum.

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Publicado 08/24/2011 por Abigobaldo em Opinião

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