Os mitos de traumas   1 comment

Crianças são as pessoas mais simples do mundo – nós sabemos disso. E que quem traz complicações na verdade somos nós, que estamos à volta delas, despejando ideias, medos, preconceitos, experiências sob a nossa ótica, que na verdade, só atrapalham.

Então, quando damos aquela multidão de conselhos (geralmente idiotas, como não ande com fulano, tal música não faz bem a ninguém, isso é coisa daquele tipo de gente), e a criança entra na puberdade, bom, aquela mistureba toda entra na cabeça junto com os hormônios e aí… ninguém entende porque elas fazem o que elas fazem. Semana passada aconteceu uma coisa muito engraçada, num lugar que comecei um projeto de inglês.

Lá, um abrigo pra crianças cuja guarda dos pais foi retirada (seja por prisão dos pais, maus-tratos ou qualquer outro motivo), costuma-se dizer que as crianças são… problemáticas. Parece que ninguém sabe lidar com elas – ou se passa a mão demais na cabeça, pelo passado (ou presente) sofrido ou se é rígido pelas besteiras feitas.

A questão é que não existe isso. A criança tem uma coisa que nós matamos no nosso crescimento – e não precisávamos disso. Por mais traumatizante que tenha sido uma experiência, se ela for tratada de maneira natural pelas pessoas, a criança vai corresponder a ela de uma forma natural, aumentando as chances de cura psicológica.

É a mesma prática que se utiliza com doenças/cânceres. Quando alguém tem uma doença gravíssima, a pior parte é contar para os outros – as caras, bocas e condolências que beiram a insensibilidade.

Crianças funcionam do mesmo modo. O problema, é quando uma criança sofreu um trauma, temos a atribuir tudo o que ela faz ao trauma em si, e esquecemos de todo o contexto em volta.

Não estou afirmando que as crianças não respondem aos traumas, e que toda atitude é totalmente desconectada da outra – é que nós tendemos a tornar o trauma como o centro da vida da criança, o que não acontece.

Uma coisa engraçada aconteceu semana passada, como eu ia dizendo. Cada lar tem uma tia, que faz as vezes de mãe na casa, limpa, cuida dos garotos, faz a comida, e assim por diante. Pois bem, uma das tias teve que sair hoje de manhã, e teve autorização pra trancar a casa (porque deixar a casa, que, embora fique numa área fechada, possa… né?). E dois dos meninos (daquela casa) arrombaram uma janela e entraram.

Resultado: castigo.

Não, nenhum dos dois eram anjos, mas… no final, fui conversar com um deles, e qual não foi minha surpresa ao descobrir que eles arrombaram uma janela pra… pegar a mochila, e ir assistir à aula. Minha aula.

Estranho, né? Não é como se eles fossem totalmente culpados, nem quem aplicou o castigo, todos tiveram seus erros e seus acertos. Mas o problema é que nem tudo é o que parece, e nem todo mundo pensa igual a nós.

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Publicado 08/29/2011 por Abigobaldo em Opinião

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Uma resposta para “Os mitos de traumas

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  1. Somos tão podres por dentro, que uma criança ficaria assustada e confusa com a nossa pregação de valores.

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