Três lições das Igrejas-Empresa   1 comment

Longas reuniões sobre a definição de pauta das próximas reuniões.

Uma igreja-empresa facilita as coisas. Adotar um modelo de gestão, com metas claras de crescimento, de eficácia, impacto e marketing realmente dá uma visão melhor do que se fazer – além, é claro, de que com alguém na gerência, nomeando, dando cargos e funções, e sendo responsável por tomar conta do processo todo, dedos serão apontados, pessoas sairão de suas respectivas zonas de conforto e todo mundo vai trabalhar, para o crescimento da igreja.

O problema é que o cristianismo não foi construído pra isso. Jesus teve plateia de 5, 6 mil pessoas, num sol escaldante, em um dia de trabalho e sem sistema de som – um sucesso empresarial. Mas como gestor, Cristo foi um fracasso já que, desses cinco mil homens, apenas doze (além da família, que não conta), estiveram com ele depois disso.

Reprodução de como se sentiria um pastor neopentecostal na Igreja de Cristo

A igreja de Cristo era tão ruim que a taxa de permanência permeia o 0,24% – a cada 500 pessoas que visitavam a igreja de Cristo, UMA permanecia. Isso nos ensina várias coisas:

1-      Não são cultos especiais ou eventos de impacto que vão fazer a diferença na vida das pessoas.

Quando Jesus fez eventos com 5 mil pessoas, quando Paulo pregou para multidões e todos os discípulos e apóstolos curavam milhares e milhares, poucos realmente entendiam o que significava tudo aquilo

Paulo escreveu várias cartas às igrejas e às lideranças das igrejas que formou exatamente para suprir essa falta de convivência. Nelas, Paulo não somente ensina – mas ele diz como vai a vida, que sente saudades, e tudo o que aconteceu com ele e fatos que possam ser interessantes e que fizeram-no lembrar daquela igreja. Paulo escreve como amigo. Na verdade, Jesus fala como amigo.

Primeiro Jesus conheceu a Zaqueu – até aí nada de novidade. Depois Ele ficou tão íntimo de Zaqueu, que se convidou a ir para casa dele (Lucas 19:5). Eu te pergunto – quem se convida pra ir na sua casa? Um melhor amigo, no mínimo.

Então, depois de ser amigo íntimo de Zaqueu… Jesus ficou de boa. Foi só quando Zaqueu puxou assunto (Lucas 19:8), que Jesus começou a falar de Salvação. Até então, a conversa foi normal, entre dois homens que haviam se conhecido de uma maneira inusitada – dois twitteiros que, seguindo um ao outro, marcam de se encontrar, para discutir algumas ideias em comum.

2-      Não é o número de pessoas presentes ou mesmo convertidas que mede a eficiência de um evangelismo.

Alcance de pessoas é um termo realmente mal-utilizado, depois que as igrejas começaram a investir na comunicação de massas. Quanto mais pessoas forem em um evento, assistirem um programa na televisão ou ouvirem no rádio, mais pessoas serão alcançadas e portanto, abençoadas.

Pra começar, essa lógica não existe. Falar que alguém ouvir/ver a programação e dizer que necessariamente a pessoa foi abençoada é uma mentira lavada. Não só por causa da porcentagem de conversão/permanência nos eventos que o próprio Jesus fazia, mas bem… Basta ver o IBOPE desses programas de TV e o número de visitantes dos sites de igrejas.

3-      Evangelismo não se começa pelo final.

Evangelismo moderno

Não adianta você entregar um panfleto para alguém falando como é bom ir para a igreja. Panfleto por panfleto, Pai Ogun faz o mesmo, com mais impacto. Evangelismo não é uma apresentação de dança, de música ou de teatro. Para evangelizar alguém, você precisa estar ao lado da pessoa, precisa ajudá-la nas suas crises, precisa dar a mão para ela.

Evangelismo é o que Jesus fez, durante toda sua vida. Em três anos de convivência, Jesus falou sobre uma igreja apenas nas últimas semanas (Mateus 16:18). Até lá, o conceito de comunhão existia perfeitamente sem o conceito de uma igreja.

Você não precisa se convidar para jantar na casa dela, mas se tiver a oportunidade faça. Comida de graça sempre é bom.

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Publicado 01/04/2012 por Abigobaldo em Igreja

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  1. Esta análise foi sensacional!

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