Do Amor que não supera todo o Medo   Leave a comment

Se você aceita uma boca de fumo na porta da sua casa por medo e não faz nada, você é tão responsável pelas mortes como os traficantes.

Essa frase tem alguns viés importantes. Você é a favor do tráfico? (Não!) Luta contra ele? (Não!) Então você é a favor do tráfico – por omissão. Quer ver como?

Conivência: Espécie de cumplicidade, que consiste na abstenção propositada ou dissimulada de prevenir, obstar ou denunciar o ato delituoso, de cuja premeditação se teve conhecimento prévio. (Michaelis).

Eu não vi nada!

Se conivência é deixar de denunciar um crime, sabendo que ele ia acontecer, isso faz da pessoa alguém conformado com os fatos – simplesmente aceitando a realidade como ela é.

E não vos conformeis com este século, […] para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Rm 12:01)

Quem é conivente, que se conforma com este século não experimenta a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Mas como não ser conivente? (O que posso fazer, vão me matar!)

Não é porque você tem uma boca de fumo na porta da sua casa que vai chegar lá de peito aberto e tentar expulsar os cabras com um cabo de vassoura. Não funciona assim.

Na verdade, funciona, mas só se você for o Rambo

Agir contra não é desligar o cérebro. Quem desliga o cérebro, como bem disse o @manoRo , são os que estão no cristianismo em busca de prosperidade material.

Mas agora, se você está com medo de morrer,

Porque todo o que quiser salvar a sua vida, perdê-lá-a; e todo o que perder a sua vida por causa de mim, este a salvará (Lc 17:33)

– eu acho que já existem pregações demais no mundo sobre isso.

Tentamos interceder pela vida de missionários no Irã, na China e não pregamos (ou vivemos) o evangelho nem na porta da nossa casa – falamos que a Igreja não produz nenhum impacto social, que o Evangelho não tem transformado nossa cidade – e nós não levantamos nem um dedo pra modificar essa realidade.

Ok, quero lutar. Mas se não posso bater de frente porque é burrice, o que eu posso fazer?

Mil coisas. Desde projetos voltados para o tratamento de ex-viciados, a iniciativas para melhorar a educação nas escolas públicas do seu bairro (afinal, estudantes são sempre o primeiro alvo de traficantes), e até mesmo a sair de casa, ir pro centro da cidade, pegar um orelhão e denunciar a existência da boca. Tudo isso vale, e tudo isso é ser ativo contra o tráfico – e a favor de um Reino que não existe só nas palavras.

Isso me lembra uma pá de pessoas bíblicas que poderiam, com todas desculpas do mundo, fugir à ação.

Aí Deus, hoje não vai rolar não. Cancela o enxofre que a gente se muda amanhã, beleza?

Imagina só, Abrão, cento e poucos anos, com Sarah, sua esposa que já estava chegando aos 100, virar pra Deus, seu brother, e dizer, ‘Então, Jeová, vai rolar não. Tenho a Sarah, ela tá velha… Fica pra próxima, belê?‘. Fim do Evangelho.

Ou mesmo se Sadraque, Mesaque e Abede-Nego tivessem parado e pensado. ‘Pô, nós temos pais e mães, vai complicar pra geral lá em casa. É só curvar a cabeça que dá tudo certo’ – cadê Jesus se revelando na fogueira?

Talvez nosso amigo José, depois de ser vendido pelos irmãos, servido a uma figura importante, preso por um crime que não cometeu, tivesse guardado as revelações dos sonhos só pra ele mesmo – afinal, sonhar só tinha dado problema até aquele dia.

É, rapaz. Ainda bem que existem pessoas que realmente dão sua vida pelo Evangelho – é por eles que estou aqui hoje.

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Publicado 03/06/2012 por Abigobaldo em Opinião

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